segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lençois e a insegurança no Maranhão

Acordei em Tutoia disposto a percorrer os supostos 230 km até Morros em apenas um dia. No meio do caminho estava Barreirinhas, de onde saem os passeios pelos Lençois Maranhenses, mas eu não estava a fim de mais um programa de turista, e passaria reto. Mas logo que saí, às 5h15, descobri, perguntando as direções, que não há estrada entre Paulino Neves e Barreirinhas. São 30 km de areia, que só se atravessam com uma condução 4 por 4, numa viagem de 2 horas.

Lamentei pela minha própria estupidez, pois não lembrava desse detalhe dos relatos que lera. Mas em Paulino Neves, a 30 km de Tutoia, tive a sorte de encontrar o Etevaldo, que logo sairia com sua Toyata Bandeirante para mais uma viagem. Deu várias voltas na cidade para encher o veículo adaptado com 14 passageiros e partiu às 9h.

O que se seguiu não estava no roteiro e me deixou encantado. Etevaldo fez parte do trajeto cruzando os chamados "Pequenos Lençois". Passou perto de lagoas, por cima de dunas, no centro de uma paisagem sem igual. O vento forte lançava a areia contra os passageiros, e alguns se protegiam com uma toalha sobre a cabeça. O veículo ia por trilhas incertas, muitas vezes invisíveis. Encontramos uns povoados naquele deserto, onde desceram alguns passageiros e de onde subiram outros.

Chegamos em Barreirinhas as 11h. Fiquei mais do que satisfeito, almocei e continuei. Devido ao imprevisto fiquei atrasado em relação ao plano, mas um excelente acostamento me permitiu pedalar em segurança à noite até Morros.

Para chegar em São Luís fui obrigado a tomar a BR-135, uma estrada com acostamento horrível e movimento muito intenso, com vento contra. Certa hora o passageiro de uma Kombi atirou um objeto nas minhas costas e passou dando risada. Estava perdendo a paciência, mas então achei uma trilha para uma estrada de chão paralela, que parece ser usada para manutenção das linhas de alta tensão.

Depois de certo esforço cheguei no apartamento do Ronaldo e da Mayara, couchsurfers que me hospedaram por 2 noites. O casal foi uma ótima companhia. Fizeram uma paeja deliciosa e me levaram para conhecer a cidade.

A fim de evitar uma segunda passagem pela BR-135 peguei um barco para Alcântara para deixar a capital, e fui até Vitória do Mearim. Esse trecho é conhecido como "Baixada" no Maranhão, e fui alertado diversas vezes sobre o risco de assaltos. Isso deixou uma marca triste da minha passagem pelo Maranhão. Foi o único estado onde as pessoas me avisavam consistentemente sobre esse perigo. Não só na Baixada, mas também em Morros e Tutoia, vê-se uma grande quantidade de motos circulando nas ruas, e eu ficava alerta sempre que percebia dois homens na mesma moto.

Estatísticas:

Dia 92 (Morros): 196,30 km @ 23,57 km/h, 676 m ↑
Dia 93 (São Luís): 104,83 km @ 17,79 km/h, 718 m ↑
Dia 95 (São Bento): 129,75 km @ 20,63 km/h, 1151 m ↑
Dia 96 (Vitória do Mearim): 129,73 km @ 20,88 km/h, 627 m ↑

Total: 9190 km

IMG_6470 - Ponte sobre o Rio da Fome em Paulino Neves

Ponte sobre o Rio da Fome em Paulino Neves

IMG_6473 - Bike carregada na condução para Barreirinhas

Condução para Barreirinhas

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Pequenos Lençois

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IMG_6534 - Condução sendo desatolada nos Pequenos Lençois

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Barreirinhas

IMG_6562 - BR-135 em Bacabeira

BR-135 em Bacabeira

IMG_6563 - Acesso paralelo à BR-135

Acesso paralelo à BR-135

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Acostamento esburacado em São Luís

IMG_6576 - Centro Histórico de São Luís

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Centro Histórico de São Luís

IMG_6583 - Eu, Mayara e Ronaldo

Eu, Mayara e Ronaldo

IMG_6592 - Barco para Alcântara

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Barco para Alcântara

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Alcântara

IMG_6621 - Pierre e eu

Pierre, cicloviajante canadense. Está indo do Oiapoque ao Chuí, e leva um drone para fazer tomadas aéreas. Pretende lançar um documentário.