domingo, 7 de setembro de 2014

BR-163, pedalando pelo Nortão

Saí de Cuiabá pela MT-010, uma estrada que teoricamente é proibida para carretas, mas assim mesmo encontrei várias delas no caminho. Numa parada em Acorizal um senhor explicou que a Polícia Rodoviária Federal no trevo logo a frente era subornada pelos caminhoneiros.

De Acorizal para frente não vi mais carretas, e o movimento em geral diminuiu. Pedalei uns 20 km à noite até Rosário Oeste, onde parei, porque saíra tarde de Cuiabá. Foi bem tranquilo, com uma pista bem lisa e plana, e a temperatura mais amena que os 36 graus que fazia no começo.

Na manhã do outro dia entrei mais uma vez na BR-163: estrada recentemente duplicada, em excelentes condições. Logo após Nobres cruzei duas serras, a do Tombador e a da Caixa Furada. A última, bem mais alta que a primeira, é um divisor de águas notável. Eu estava deixando a Bacia do Rio Paraguai e agora pedalaria pela Bacia Amazônica.

Alguns quilômetros adiante há um distrito chamado Posto Gil. Ali acaba a pista duplicada (ou em processo de duplicação) e começa o trecho mais perigoso por onde já pedalei. O acostamento é estreito e com muitos defeitos, desaparecendo em alguns momentos. O movimento de caminhões é grande, e o veículo mais comum são carretas com 2 semirreboques e 7 ou 9 eixos. Essa é a rota que conecta o agronegócio do Nortão com o porto seco em Rondonópolis.

Para complicar, encontrei uma fila quilométrica devida a um acidente, que gerou um tráfego intenso quando ela começou a se dissipar. Pedalei uns 20 km nessas condições, e parei em Nova Mutum.

Passei também por Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop. Todas essas cidades se desenvolveram recentemente e são bonitas, como ouvi das pessoas em momentos diversos. Em Rosário Oeste o dono de um restaurante as descrevera: "Aquilo tinha que ser capital do Estado, e não esse buraco que é Cuiabá!"

De Nova Mutum em diante o acostamento fica bom e mais seguro para pedalar. Entre Lucas e Sinop o acostamento é inclusive largo.

Foi logo depois de Lucas do Rio Verde que a bike teve o primeiro contato com um importante fenômeno meteorológico: a chuva. E ela veio forte, com 3 pancadas que só me deixavam ver umas poucas dezenas de metros adiante. Nos 2 dias seguintes eu ainda enfrentaria alguns chuviscos. Nada que incomodasse. Muito pelo contrário, os dias nublados são um alívio para o calor.

Sinop é uma espécie de divisor: ao Norte a estrada fica ondulada, com vegetação alta e mais preservada. Vê-se gado nas margens da estrada, e não apenas plantações. O movimento de caminhões diminui consideravelmente.

São os últimos quilômetros pela BR-163. Escrevo isso de Terra Nova do Norte. Adiante, em Matupá, pegarei a famosa BR-080, que corta a Reserva do Xingu. Acredito que ficarei incomunicável por 2 ou 3 dias, até chegar em São José do Xingu, cidade com alguma estrutura.

Estatísticas:

Dia 33 (Rosário Oeste): 106,66 km @ 18,26 km/h, 944 m ↑
Dia 34 (Nova Mutum): 141,03 km @ 18,07 km/h, 972 m ↑
Dia 35 (Sorriso): 164,12 km @ 20,08 km/h, 481 m ↑
Dia 36 (Sinop): 89,72 km @ 19,19 km/h, 449 m ↑
Dia 37 (Terra Nova do Norte): 157,86 km @ 20,03 km/h, 1319 m ↑

Total: 3354 km

IMG_3662 - MT-010

MT-010

IMG_3679 - Acostamento ruim na BR-163

Acostamento ruim na BR-163

IMG_3694 - Fila de caminhões devida a acidente

Fila de caminhões devida a acidente

IMG_3696 - BR-163 sem acostamento

BR-163 sem acostamento

IMG_3699 - Nova Mutum

Nova Mutum

IMG_3707 - Lagarto na BR-163

IMG_3713 - Ciclovia em Lucas do Rio Verde

Lucas do Rio Verde

IMG_3723 - Pancada de chuva se aproximando na BR-163

Pancada de chuva se aproximando

IMG_3734 - Sorriso

Sorriso

IMG_3748 - Claudinei e eu tomando suco

Encontro com meu amigo Claudinei em Sorriso

IMG_3788 - Parada na BR-163

IMG_3792 - Lagoa na BR-163

IMG_3809 - BR-163

Início de serra antes de Terra Nova do Norte

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